Dia desses um amigo perguntou em dado
momento qual era meu signo.
“Câncer” – respondi meio surpresa.
E mais surpresa ainda fiquei, quando
veio a segunda pergunta:
- “Qual a característica mais marcante
do seu signo?”
Well, Well, obvio que fiquei sem reação! Não sei se por achar engraçado um homem falando sobre isso, ou se pela hora em que foi falado.
Interesso-me por signos. Não que sejam
verdades absolutas escritas em folhetins, mas gosto das características, dos
elementos, afinidades e coisas que me fazem rir ao me reconhecer ou reconhecer
pessoas que me cercam. Logo, leio sempre sobre isso e não seria difícil ter
respondido, mas fiquei pensativa e hoje, consegui chegar a uma conclusão.
Ser como as marés ou como as fases da lua
é a característica mais marcante.
Posso ser marola ou posso ser um
tsunami, lua minguante ou lua cheia, em um só dia, em horas ou minutos. O céu e
o inferno brincam sobre quem tem mais espaço aqui dentro.
Oscilei de humor entre o riso
incessante no dia, ao choro de apertar o coração, sem motivo na madrugada.
Um mar de emoções.
Da doçura, ao mais bruto sentimento,
eu vou. Sem pensar, somente por sentir.
Sentir! O verbo que deve reger.
Eu sinto e tudo parece tão maior do
que realmente é.
Do símbolo que ilustra: um caranguejo, fica a carne frágil e macia (que
poucos – ou nenhum- alcançaram), protegida pela grossa casca e pinças afiadas.
Escrevendo sobre isso, lembrei-me de
um poema, que muito traduz tudo que disse antes:
“Olhe, tenho uma alma muito prolixa e
uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me
lembre”.
Clarice Lispector
