Um lamento pessoal,
cantado e contado a mim mesma.
Sem lamúrias, sem
excessos.
Sem encher ouvidos
alheios. Apenas olhos que queiram enxergar.
Ah, o coração!
Parece bater
separado ao peito.
Parece sofrer de um
mal, um mimo, feito filhos teimosos de uma mãe exausta.
Crianças travessas, desagradáveis e que insistem em fazer aquilo que a mãe suplicou pelo não, sob a ameaça de um castigo.
Crianças travessas, desagradáveis e que insistem em fazer aquilo que a mãe suplicou pelo não, sob a ameaça de um castigo.
Ah, coração! Seu
estúpido!
Insiste em
acelerar, quando deve acalmar.
Insiste em pulsar
como fogo, quando seu papel era ficar denso feito gelo.
Insiste em tomar as
rédeas da razão.
Mandar ela a escanteio e dominar o jogo.
Mandar ela a escanteio e dominar o jogo.
E me pergunto:
“razão, cadê você, por favor?”
E quase posso ouvir
a resposta: “me entreguei”.
Eu lamento coração,
que você aja sem meu consentimento
(E há horas em que
me orgulho disso).
Lamento seu jeito,
impensado de ser
(Ou quem sabe, seja
muito sábio).
Questiono o porquê de
o coração representar as paixões.
Logo entendo:
Coração é fôlego.
É o pulsar
profundo.
É o que aquece o
corpo.
E fortalece a alma.
Coração é
renovação.
É filtrar o velho,
É dar gás ao novo.
É tirar o sujo,
E repor o limpo.
Coração é o centro
da vida.
É o centro do
corpo.
É o baú das
emoções,
E a caixinha de
pandora.
Coração é um bicho
esquisito.
Só quer amar, mesmo
que e ainda, não seja amado.
E na melodia eterna
do “Tum Tum! Tum Tum!"
Há um descompasso,
tão compassado que inspira a cantar.