domingo, 27 de janeiro de 2013

Um manifesto àquilo que chamo de coração...


Um lamento pessoal, cantado e contado a mim mesma.
Sem lamúrias, sem excessos.
Sem encher ouvidos alheios. Apenas olhos que queiram enxergar.

Ah, o coração!
Parece bater separado ao peito.
Parece sofrer de um mal, um mimo, feito filhos teimosos de uma mãe exausta.
Crianças travessas, desagradáveis e que insistem em fazer aquilo que a mãe suplicou pelo não, sob a ameaça de um castigo.

Ah, coração! Seu estúpido!
Insiste em acelerar, quando deve acalmar.
Insiste em pulsar como fogo, quando seu papel era ficar denso feito gelo.
Insiste em tomar as rédeas da razão.
Mandar ela a escanteio e dominar o jogo.

E me pergunto: “razão, cadê você, por favor?”
E quase posso ouvir a resposta: “me entreguei”.

Eu lamento coração, que você aja sem meu consentimento
(E há horas em que me orgulho disso).
Lamento seu jeito, impensado de ser
(Ou quem sabe, seja muito sábio).

Questiono o porquê de o coração representar as paixões.
Logo entendo:

Coração é fôlego.
É o pulsar profundo.
É o que aquece o corpo.
E fortalece a alma.

Coração é renovação.
É filtrar o velho,
É dar gás ao novo.
É tirar o sujo,
E repor o limpo.

Coração é o centro da vida.
É o centro do corpo.
É o baú das emoções,
E a caixinha de pandora.

Coração é um bicho esquisito.
Só quer amar, mesmo que e ainda, não seja amado.
E na melodia eterna do “Tum Tum! Tum Tum!" 
Há um descompasso, tão compassado que inspira a cantar. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Já dizia Renato...


..."Digam o que disserem, o mal do século é a solidão. Cada um de nós imerso em sua própria arrogância. Esperando por um pouco de afeição".

E ai eu digo: Grande Renato!
Como sempre, frases precisas. 

Sim. O mal do século é a solidão. 
Temos mais compromissos e até mais "vida social", ainda assim, estamos cercados de pessoas vazias, coisas vazias, vidas vazias, teorias vazias, amores vazios, carinhos vazios. 
E tudo não passa de um grande vazio preenchido de qualquer forma.


Vejo as pessoas cada vez mais fechadas em seus próprios mundos.
Ok! Não sou a favor de se cantar aos 4 ventos a vida pessoal. Eu mesma, sou deveras reservada, mas sou só amor com meus próximos. Gestos como trazer um chocolate de um passeio ou mandar um sms só pra dizer o quanto estou com saudade, fazem parte do meu ser. Sendo assim, sinto falta da retribuição. E não que eu faça esperando pelo mesmo, mas é ai que perceber o quanto as pessoas estão alheias a nossos gestos de carinho...
Quando você traz um chocolate e diz à alguém: "Ei, trouxe pra você", com um sorriso de orelha a orelha e semanas depois, você percebe que o chocolate está pegando pó no armário.

Quando você mora com mais de uma pessoa e ainda assim, se sente só.
Quando você sai com um grupo de amigos e parece estar sozinho.

Solidão, nem sempre significa estar sozinho. Não fisicamente.
Solidão é um estado de espírito, tal qual a felicidade, mas não andam juntos. Nunca andaram e nunca andarão. Ninguém é feliz sozinho e talvez quando muitos caiam em si, seja tarde. Muito tarde.

A música citada, chama "esperando por mim"... que sensação gostosa a de ter alguém esperando por nós. Com olhos que brilham como estrelas e sorrisos que queimam a alma de tanta alegria. Abraços que apertam o coração, de vontade de não soltar.
Falta intensidade, falta envolvimento.

E no fim, cabe á mim:


"Hoje não estava nada bem 
Mas a tempestade me distrai 
Gosto dos pingos de chuva 
Dos relâmpagos e dos trovões"